sexta-feira, 30 de junho de 2017

Review: Silk Gloves On Hard Boys (The Psycho Tramps)

Silk Gloves On Hard Boys (The Psycho Tramps)
(2017, Dog City Records)
(5.5/6)

O punk rock feito em Portugal está, por norma, mais orientado para a sua componente limpa, melódica e até com alguma diversão. Os The Psycho Tramps são um dos poucos exemplos de bandas praticantes de um punk sujo, agressivo, selvagem, áspero e fazem-no muito bem. Já o haviam feito em I’ve Met Satan e repetem a dose nesta sua nova proposta Silk Gloves On Hard Boys. Bom, neste caso em particular, a matriz punk dos The Psycho Tramps mantém-se (basta atentar na crueza de Abandon All Hope, na agonizante abertura ou no fraseado hardcore de Chainsaw Sunset) mas, nota-se uma linha evolutiva interessante. Não é a questão da banda se estar ou não a suavizar. Isso é irrelevante. O que é relevante é que, agora, a sua componente selvagem e crua aparece mais diluída num trabalho de guitarra mais cuidado e elaborado. Isto cria mais musicalidade, mais harmonias e até a utilização do solo em contra-canto. São bons exemplos Number One, Lightning Romance, Playing With Your Momma, Indecision ou Lipstick Rape. Por outro lado, a evolução das linhas de baixo é notória e isso confere outras dinâmicas a temas como Number One ou Velvet Mouth.  A estabilidade resultante da manutenção do mesmo line-up e editora, a experiência acumulada ao vivo e evolução enquanto músicos certamente proporcionou essa evolução. Note-se, no entanto, que essa evolução não é feita à custa da hipoteca das suas caraterísticas intrínsecas. Não, essas estão lá todas! Como já referido, o seu lado mais cru, direto, sujo e selvagem não foi minimamente beliscado e é a manutenção dessa linha de equilíbrio que torna os The Psycho Tramps um dos coletivos mais sólidos e consistentes do seu segmento.

Tracklist:
1.      Come On
2.      Abandon All Hope
3.      Number One
4.      Chainsaw Sunset
5.      Killers
6.      Lightning Romance
7.      Playing With Your Mom
8.      Nightmare
9.      We Are The Boys
10.  Indecision
11.  Lipstick Rape
12.  Velvet Mouth

Line-up:
M. Roque – vocais
Zé Alves – guitarras
Ramon Contreras – guitarra solo
David Sabino – baixo
Marco Dores – bateria

Internet:
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Edição: Dog City Records   

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Review: Tornado (Barry White Gone Wrong)

Tornado (Barry White Gone Wrong)
(2017, Independente)
(6.0/6)

Barry White, todos o saberão, foi um compositor e cantor soul e disco falecido em 2003. Mas, se alguma vez, esteve errado – e deve ter estado algumas, como toda a gente! – parece que só este novo coletivo nacional o sabe. Piadas sobre o curioso nome da banda Barry White Gone Wrong, à parte, a realidade é que este trabalho homónimo é um disco curto mas marcante. Sem preconceitos de qualquer espécie, o quinteto atira-se sem rodeios ao blues, ao soul, ao country, ao rock, ao punk. E o resultado é um conjunto de temas que bem poderiam ter sido escritos por Pedro Abrunhosa, Bob Wayne, The Doors, Bob Dylan, The Clash ou Leonard Cohen. De facto, se a abertura rockeira e retro de Plastic Ocean nos remete para Bob Dylan ou mesmo The Doors, o final com Black Out Alert é um funky primoroso com coros soberbos que tanto pode vir de Abrunhosa como de Prince. Pelo meio há toda uma panóplia de estilos para descobrir e deliciar, sempre com um nível muito alto de qualidade quer nas composições quer nas execuções e onde a voz grave de Peter de Cuyper se revela um elemento fundamental na magia geral da banda. Os Barry White Gone Wrong eram, para nós, um nome desconhecido, mas com Tornado vão deixar bem marcado o seu nome no panorama musical nacional. 

Tracklist:
1.      Plastic Ocean
2.      Happy Not
3.      Chill Pill 2
4.      Tornado
5.      Dynamite
6.      Instead
7.      On The Road
8.      Black Out Alert

Line-up:
Peter De Cuyper -  vocais
Ivo Xavier – baixo
Pedro Frazão – bateria
Mário Moral – guitarras
Miguel Décio – guitarras e vocais

Internet:
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terça-feira, 27 de junho de 2017

Review: Infinite (Deep Purple)

Infinite (Deep Purple)
(2017, earMusic/Edel)
(5.5/6)

Falar de Deep Purple e de alguns dos seus álbuns é sempre complicado para nós porque este é um dos grupos históricos, com os quais crescemos e há sempre a tendência para misturar a emoção com a razão. Mas falar de qualquer álbum novo dos britânicos, neste caso, Infinite, afigura-se um pouco mais fácil, porque o que os Purple de hoje nos trazem é uma recriação dos seus melhores tempos. Isto é, Infinite está claramente dentro dos parâmetros de qualidade exigido a um grupo com a dimensão dos Purple e composto por músicos desta grandez. Significa isso que Infinite se aproxima do que de melhor a banda fez, nomeadamente nos anos 70, com o uso primordial das suas estruturas e arranjos típicos. E Infinite tem uma sonoridade global perfeitamente setentista. Claro, já lá não estão Ritchie Blackmore nem Jon Lord, mas acreditem que (pelo menos no caso do teclista), o fantasma de Lord deve ter encarnado em Don Airey! E naturalmente, também, Steve Morse está perfeitamente à altura das exigências, sacando solos brilhantes à sua guitarra. Agora, claro, nota-se algum cansaço na voz de Gillan - nem outra coisa seria de esperar, aliás - e nota-se também alguma dificuldade em descolar de um passado glorioso. Mas a banda esforça-se nesse sentido e até procura futurizar o seu som, pelo menos a atender pela utilização de vocais sintetizados em Time For Bedlam e Birds Of Prey. E por outro lado procura entrar por campos menos óbvios como sejam as referências progressivas de uns The Flower Kings ou The Tangent na trovadoresca The Surprising ou de Pink Floyd ou mesmo Wishbone Ash em Birds Of Prey. Os melhores momentos, no entanto, são conseguidos quando os Deep Purple são apenas… Deep Purple. O swing de All I Got Is You é brutal; o honky tonk de One Night In Vegas é delicioso. O resto, seguramente não defraudará os inúmeros fãs da banda. Uma palavra final para a forma como reconstruiram esse tema icónico do blues rock que é Roadhouse Blues dos The Doors. Temos aqui uma versão verdadeiramente magistral… e acreditem que se há tema onde é quase impossível fazer melhor que o original é este. E os Deep Purple conseguiram-no!

Tracklist:
1.      Time For Bedlam
2.      Hip Boots
3.      All I Got Is You
4.      One Night In Vegas
5.      Get Me Outta Here
6.      The Surprising
7.      Johnny’s Band
8.      On The Top Of The World
9.      Birds Of Prey
10.  Roadhouse Blues

Line-up:
Ian Paice – bateria
Roger Glover – baixo e vocais
Ian Gillan – vocais
Steve Morse – guitarra, vocais
Don Airey - teclados

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Edição: earMusic/Edel    

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Entrevista: Viralata

Se houvesse mais bandas com o espírito dos Viralata, certamente o mundo seria bem melhor! Diversão, alegria e descomprometimento fazem parte do seu vocabulário enquanto banda praticante de um punk rock sempre em rota de colisão com a boa disposição. Rota de Colisão que é, precisamente, o título do seu mais recente disco e motive que nos levou à conversa com o coletivo lisboeta.

Olá pessoal, tudo bem? Ora aí estão os Viralata de regresso com mais uma descarga de adrenalina, crítica e bom humor. Como foi o período que se sucedeu ao lançamento de Doa a Quem Doer e à nossa última conversa?
Tudo ótimo. A seguir ao lançamento do segundo disco, seguiu-se um período intenso de promoção e concertos e, mais tarde, de começar a preparar o novo disco que finalmente saiu.

E como decoreu todo o trabalho que vos levou até Rota de Colisão?
É o processo natural e normal. Começar a reunir ideias, a ouvir coisas, a compor, escrever, ensaiar, experimentar, arranjar e gravar em estúdio.

Uma rota que também vos fez colidir com João Sanpayo e Eduardo Vaz Marques. Como se proprocionaram essas duas participações?
Para além de serem músicos de quem nós gostamos bastante, são também nossos amigos, daí ser muito fácil partilharmos esta experiência em conjunto. Convidamo-los e aceitaram à primeira. E o resultado deixou-nos bastante felizes.

Curiosamente duas gerações distintas dentro do punk rock. Foi essa a intenção? Como que a homenagear as vossas raízes e os vossos colegas de atualidade?
Também. Em primeiro lugar, porque a participação deles acrescentava, de facto, muito valor às canções em causa. Eram músicas que precisavam e pediam mesmo a interpretação deles. Por outro lado, porque obviamente partilhamos o mesmo ADN musical, temos imenso em comum, falamos a mesma linguagem.

Um dado curioso no alinhamento do disco é a faixa final, Fim… Qual o seu significado?
O disco tem uma intro e um final. Na intro é o início da “nossa viagem”. O final é como que uma ironia ao futuro que nos espera se nada for feito. A extinção. Pensamos que para lá que caminhamos se nada mudar entretanto.

Depois têm Lúcio Fernando… é a vossa “Alcides Pinto”? Agora a sério, quem o “vosso” Lúcio Fernando?
Lúcio Fernando é o verdadeiro nome de Lúcifer. LÚCI (Lúcio) FER (Fernando). É uma sátira ao Diabo e uma ironia a quem é mau para com os outros, na realidade, por falta de afeto e carinho. (risos) O mundo precisa mesmo é de amor e prostitutas.

Aliás, em termos de humor, os Viralata parecem estar ainda mais à frente que no disco anterior. Basta atentar numa letra como És Linda! Como é que uma letra daquele tipo surge?
Acho que em termos de humor mantemos o mesmo registo, é algo que faz parte de nós. No que ao tema diz respeito, sinceramente, sempre quisemos ter uma música romântica, e isto foi o mais perto desse registo que conseguimos. (risos)

De resto, mantendo a mesma equipa e a mesma editora, acredito que as dinâmicas estejam muito mais oleadas. Foi importante essa estabilidade?
Sim. Os processos acabam por ser quase sempre os mesmos. Nós somos família, vivemos a música dessa maneira, quer como banda quer também na relação que temos com a Rastilho que é de grande proximidade e entreajuda.

Em termos de vídeos, ponto onde vocês também costumam ser fortes, o que já têm disponível?
Fizemos para o primeiro single, Estrelas Decadentes que antecedeu o lançamento do disco. Contamos fazer ainda mais um ou dois videoclipes quando houver oportunidade e disponibilidade.

E agora, o que se segue em termos de promoção de Rota de Colisão?
Depois de um lançamento no RCA Clube praticamente lotado, fizemos a Fnac do Colombo e fomos tocar aos Açores. Temos mais uns concertos marcados e outros a serem agendados. Mas hoje em dia é cada vez mais difícil para uma banda rock conseguir tocar bastante, preparar uma tour, o que quer seja. O rock, principalmente feito por bandas portuguesas, foi literalmente apagado do mapa musical em Portugal e deixou de ter espaço. Demasiados lobbies e interesses. Mas nós somos teimosos e fica desde já a promessa de que não iremos concorrer ao Festival da Canção.

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa?
Estamos juntos, doa a quem doer.

domingo, 25 de junho de 2017

Reviews - Junho (Parte 2)

The Butterfly Raiser (Bare Infinity)
(2017, Blackdown Music)
Bare Infinity – mais um nome a juntar à lista dos imensos que tenta a sua sorte na competitiva cena do metal sinfónico de vozes femininas, assim na linha de Nightwish, Edenbridge ou Epica. E The Butterfly Raiser, segundo longa-duração dos gregos, mostra-nos uma excelente voz, com um belíssimo timbre, perdida num oceano de ideias e fórmulas já utilizadas até à exaustão. A inclusão de coros e elementos éticos/folk tenta mudar esse destino, mas são utilizados de forma pouco consequente e sem o necessário arrojo. Ainda assim, a primeira metade do disco é suficientemente apelativa para chamar a atenção do ouvinte. Infelizmente, a segunda metade decai drasticamente. Este é um disco que se tivesse menos 3 ou 4 faixas melhoraria significativamente. (4.9/6)


Manifestation (Midnight Rider)
(2017, Massacre Records)
Com membros de outras bandas (Metalucifer no Japão e Metal Inquisitor na Alemanha), os Midnight Rider são um abanda de culto que se estreia com Manifestation. Analógico e orgânico, Manifestation, recria o heavy metal dos anos 70 e 80, de bandas como Judas Priest, Black Sabbath, Iron Maiden, Kiss ou Thin Lizzy. No entanto, Manifestation é um disco repetitive e monótono, salvo por alguns riffs mais ousados, algumas mudanças rítmicas mais interessantes e por algumas cavalgadas épicas. Ainda assim, insuficiente para o colocar ao nível do que estes músicos têm feito nas suas outras bandas. (4.6/6)


Empress Of The Cold Stars (Perpetual Rage)
(2017, Inverse Records)
Bastante interessante este segundo álbum para os finlandeses Perpetual Rage que em Empress Of The Cold Star não se preocupam em inventar a roda, mas antes seguir as boas indicações deixadas pelos nomes icónicos dos anos 80. Sim, os Perpetual Rage aproveitam o que de melhor Dio, Iron Maiden, Saxon e afins tinham, injetam-lhe uma adequada dose de personalidade e eis uma coleção de dez temas de heavy metal tradicional, versátil, enérgico e com atitude. (5.0/6)


Towards The Mountains (Herc)
(2016, Independente)
Com um passado no power metal Herc decidiu enveredar por caminhos mais épicos e fantasiosos, sendo que Towards The Mountains é o seu mais recente registo. Um disco onde paisagens calmas, atmosféricas e acústicas são, por vezes, cortadas por descargas mais densas e obscuras. O mundo de Tolkien é a principal inspiração de Herc, embora musicalmente se aproxime muito dos Bathory, pelo menos nas suas fases menos agressivas. A influência black e pagan metal também se fazem notar, essencialmente ao nível das ambiências. No entanto, os dedelhados acústicos, partes sinfónicas e coros majestosos são as principais mais valias de um álbum que acaba por se tornar monótono fruto da sua longa extensão – cerca de duas horas. (5.3/6)


The Brainstorm Vol. II (Backflip)
(2017, Hellxis Records)
The Brainstorm é o disco que os Backflip apresentam em duas partes de seis temas cada. A primeira já saiu em 2016 e agora surge a segunda, mais uma vez captada nos Generator Music Studios com Miguel Marques ao comando. O quinteto luso, que aqui estreia o guitarrista Tiago Gonçalo que substitui Miguel Morais, evoluiu e mostra como fazer bom hardcore cheio de ganchos melódicos e vozes limpas conjugados com a sua habitual agressividade. Adequado para fãs de Comeback Kid, Rise Against, Terror ou Ignite. (4.2/6)


Lilith (Lamina)
(2017, Raging Planet)
Os Lâmina nasceram em Lisboa em 2013 com a intenção de fazerem stoner rock psicadélico influenciado por nomes como Acid King, Electric Wizard ou Sleep. O resultado do seu trajeto é um manifesto de ocultismo e psicadelismo retro na forma de Lilith. Uma rodela com sete temas que combinam as influências ácidas, ambientes psicadélicos, riffs stoner rock e um som, genericamente, obscuro oculto e doomy. (4.4/6)

sábado, 24 de junho de 2017

Reviews - Junho (Parte 1)

The Eye Of Tilos (Perfect Blue Sky)
(2017, SMG/Right Recordings)
Da junção do músico sueco Pontus Andersson e da vocalista australiana Jane Kitto nascem os Perfect Blue Sky, independentemente de anteriores colaborações entre os dois músicos. O novo álbum, The Eye Of Tilos, é uma viajem retrospetiva aos anos 60 e 70, ao peace and love e ao flower power. Melodias singelas criadas essencialmente com guitarras acústicas onde o minimalismo e o psicadelismo prevalecem. No entanto, falta algum nervo, alguma intensidade, o que faz de The Eye Of Tilos um disco, em muitos momentos, desinteressante e bastante insonso. (4.3/6)


Non-Stop Mexico-Jamaica (Ozomatli)
(2017, Cleopatra Records)
Para quem não conhece, os Ozomatli são um abanda californiana de latin-fusion já galardoada com diversos Grammy. Non-Stop Mexico-Jamaica, o seu novo trabalho, nasce do conceito de juntar duas das mais ponderosas tradições musicais: a canção Mexicana (clássica e contemporânea) com a assinatura dos ritmos jamaicanos. O resultado é o conjunto de 14 temas do século passado, reimaginadas e renascidas com a ajuda de Sly & Robbie, um dos duos de bass & drum mais respeitados da Jamaica. A ideia é engraçada e a fusão com outros ritmos como o R & B ou o rock resultam bem. No entanto, o recurso exagerado a ritmos eletrónicos e hip hop, acabam por tornar os temas menos imprevisíveis e mais plásticos. (3.8/6)


The Camden Promise (Tony Natale)
(2017, Independente)
Tendo como principal objetivo a disseminação da paz e do amor, Tony Natale é baterista e compositor americano que, enquanto vivia em Camden Town, Londres, se juntou a Brian Heaven para comporem 8 temas de rock soft, onde as guitarras têm a principal palavra a dizer. Mais tarde, John Idan, dos The Yardbirds, juntou-se ao duo para terminar o álbum. The Camden Promise é um disco variado embora, como referido, centrado no rock. E essa variabilidade é dada por passagens pelo pop, pelo R & B, pelo boogie rock (Boogie Around é, de facto, o melhor tema do disco), e até por passagens mais étnicas como sons latinos, afro e tribais. (4.5/6)


Amber Galactic (The Night Flight Orchestra)
(2017, Nuclear Blast)
Membros dos Soilwork e Arch Enemy rapidamente se transformaram de elementos do metal mais pesado em hard rockers. E o novo disco dos The Night Flight Orchestra, primeiro para a Nuclear Blast, possui muitos condimentos que os situam próximo do rock de uns Kiss, ou, mais genericamente, do rock anos 70/80, mas adicionado de outras nuances, como palmas, saxofones, vocais femininos, pianos e solos de sintetizador. Portanto, Amber Galactic solidifica o som e intenções do projeto com um conjunto de realmente boas canções e muito divertimento. (5.4/6)

Notícias da semana

O violinista dos Curved Air, Darryl Way, tem novo álbum conceptual/rock opera intitulado Underworld. O álbum saiu a 21 de junho em dois formatos: Underworld Rock Opera Complete, que inclui todo o espetáculo com diálogos e narrações e Underworld Rock Opera The Songs, que apenas contem as canções.


Os Le Roi são um coletivo praticante de king-size-rock com elementos eletro e muitos sintetizadores. O seu novo single, Jättiläisen Askeleet, fala do mundo brutal que todos os dias vemos nas notícias. Este vídeo inclui extratos do lendário filme The Spirit Of ’43, com o Pato Donald como mensageiro de desinformação. O vídeo conta, ainda, com as participações de Donald Trump, Vladimir Putin, Superman e Popeye.


Os Trêsporcento regressaram em abril deste ano com Território Desconhecido, novo longa duração que marcou também a colaboração entre a banda e Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu este disco. Depois do lançamento dos singles O Sonho, que passou várias semanas na liderança no ranking de temas mais votados pelos ouvintes da Antena 3, e Tempos Modernos, cujo vídeo realça a importância da preservação da nossa costa, chega o vídeo de A Ciência, um dos temas mais orgânicos do disco, que capta de forma mais crua a energia criada pela banda na sala de ensaios.


O guitarrista e compositor Rex Shepherd lançará a terceira parte da sua série digital Never Buy My Self, a 29 de junho. Se os dois primeiros volumes lançados em 2014 mostram Shepherd a tocar a solo em vários duetos, esta terceira parte continua este objetivo, num conjunto de temas que assentam em peças compostas e improvisadas.


A Esoteric Recordings anunciou o lançamento de uma edição de luxo com 3 discos (2 CD e DVD) do álbum clássico Slow Dance, originalmente lançado por Anthony Phillips em 1990. Anthony Phillips foi membro fundador dos Genesis e Slow Dance é uma rock suite composta por duas partes. Esta nova edição digipack apresenta novas remasterizações e um CD – Slow Dance Vignette – com temas nunca antes lançados.


Com influências que vão desde Jack White a Chuck Berry; de Seasick Steve a The Legendary Tiger Man, os Dog’s Bollocks são uma dupla de Blues/Rock de Torres Novas que acaba de lançar o EP Single Malt Blues e que já está disponível no Spotify. Duas guitarras, meia bateria, muito blues e rock n roll é uma forma de descrever a sonoridade dos Dog’s Bollocks, banda composta por Daniel Martins (guitarras e voz) e Luís Leitão (guitarras, voz, bombo e pratos de choque). De momento, o projeto encontra-se a promover o seu trabalho, com o tema Birds And The Bees já a rodar nas rádios.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Entrevista: Valor

O metal precisa de luz – diz Vaggelis Krouskas – e se há alguém capaz de transmitir toda essa luminosidade, não haja dúvida que são os Valor. Basta ouvir o seu mais recente trabalho, Arrogance: The Fall e toda a sua capacidade melódica e épica para se perceber a amplitude do que afirmamos.

Olá Vaggelis, como estás? Como estão as coisas no reino dos Valor?
Saudações dos Valor, todos nos sentimos bem e tudo até agora parece emocionante e muito promissor! Também gostaria de agradecer a tua excelente review! É o feedback muito positivo que obtemos da maioria, ainda não de todos, dos comentários em todo o mundo que nos dá uma razão para seguir o caminho que fizemos até agora! Obrigado por isso, nós apreciamos!

Foram quatro anos desde The Yonder Answer. Como utilizaram esse tempo? Com o que estiveram ocupados?
Durante estes quatro anos trabalhamos no nosso novo lançamento! Em 2015, lançámos um vinil de 7 polegadas com duas faixas, incluindo uma faixa do novo álbum, a Crown of Evermore! Ao longo destes quatro anos, houve muito trabalho em termos de produção e arranjos de canções, visando um objetivo ainda maior do que o álbum The Yonder Answer. Acreditamos que alcançamos as nossas expetativas e, até agora, as pessoas que já nos conhecem criticaram positivamente esse nosso esforço.

Na altura falaram que The Yonder Answer era o resultado da vossa evolução como banda. Agora, com Arrogance: The Fall, acho que esse processo é ainda mais visível. Até onde poder ir os Valor? Sentem que ainda tem uma grande margem de evolução?
Em termos de evolução damos sempre um passo em frente. Obrigado por mencionares "ainda mais visível no nosso novo disco"! O valor disso é o nosso difícil trabalho em equipa. Fazer música tem duas componentes: a primeira, e mais importante, tem a ver com a inspiração, um fator que não podes controlar e onde não podes evoluir; a segunda, a evolução técnica de cada membro da banda e geralmente na produção de som (gravação, mistura e masterização) do resultado final! Depois veremos o resultado, meu amigo ...!

Sinto que este novo trabalho é ainda mais grandioso no que diz respeito às partes épicas e especialmente às linhas melódicas. Trabalharam mais estes aspetos?
Obrigado novamente por dizeres isso! Elementos épicos na música Heavy Metal tem muitas abordagens diferentes por parte do público atual. Estamos a tentar penetrar mais profundamente no significado e identificar os verdadeiros epicenos do heroísmo da vida na vida cotidiana! As pessoas próximas que lutam para superar as verdadeiras dificuldades. As linhas melódicas acabam por sair da forma que achamos que deveriam sair! Isto é o que nós juramos defender como Valor e do qual ainda nos sentimos muito orgulhosos!

Arrogance: The Fall é, também, um álbum conceptual como o vosso antecessor? Qual é o tópico principal abordado agora?
Arrogance: The Fall não é um álbum conceptual, embora todas as músicas tenham uma referência comum em aspetos de perspetiva de vida como grandeza, revolução, virtude, unidade e valor, etc., é claro! Ideais que continuamos a defender a proteger nas nossas vidas contra a arrogância, o pai da corrupção e destruição da humanidade!

O artwork é deveras excelente. Quem foi o responsável?
O homem por trás de todas as artworks dos Valor é Nick Deligaris! Nick é um designer digital super-talentoso e estamos muito felizes por tê-lo connosco desde o início dos Valor. Agradecemos-lhe por compartilhar o seu talento connosco. Podem encontrar toda a sua carreira maravilhosa em www.deligaris.com.

Como já referiste, a música The Crown Of Evermore já tinha sido lançada como single em 2015. Essa versão foi uma espécie de teste para este álbum?
Quatro anos é muito tempo para estar ausente e naquele momento, em 2015, prevíamos que completar o álbum nos levaria mais 1-2 anos, por isso achamos que seria uma boa ideia lançar uma edição especial para amantes de vinil, com uma faixa do álbum seguinte, apenas para dar uma ideia. Também incluímos uma das nossas versões favoritas que fazemos ao vivo, o tema The King dos Accept.

E quanto às outras músicas, são todas da mesma altura (2015) ou começaram logo a ser criados a seguir ao lançamento de The Yonder Answer?
Quase 80% das faixas foram compostas até 2015. Ainda assim, nas pré-produções surgiram muitas mudanças e novas ideias que precisavam de tempo para desenvolver. O que estou a tentar dizer é que este álbum está, de longe, melhor preparado do que o anterior, com muitos dias e noites de trabalho árduo, muito suor e esperança no nosso recém-nascido!

Próximos projetos a serem cumpridos nos tempos que se seguem?
Até agora cumprimos a nossa tournée grega de Arrogance: The Fall! Estamos a preparar-nos para a próxima temporada e ver o que pode surgir! Enquanto isso, a partir de setembro, começaremos a compor o novo álbum. Já há algumas ideias muito boas na mesa! Ainda ninguém sabe o que acontecerá no futuro. Como já te disse, a música dos Valor não é apenas um produto onde temos limites de tempo para produzir. Enquanto a inspiração estiver do nosso lado, continuaremos como até agora.

Obrigado, Vaggelis! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado, também, meu amigo por esta entrevista! Espero que o heavy metal seja tratado pelas pessoas como realmente merece, com respeito e dignidade! A grandeza da nossa música deve trazer a luz das nossas almas enquanto luta pela esperança e positividade! Parte do Heavy metal da atualidade está a passar por um caminho sombrio de confusão e nós, que representamos exatamente o lado oposto, devemos fazer a nossa luta e voltar a espalhar a luz por todas as terras!